domingo, 8 de novembro de 2015

12.10


As pessoas vão desaparecendo ao longo dos anos e tu és o único responsável por isso. Criam-se amizades e criam-se laços que parecem inquebráveis. Mas não, há sempre algo que vem e estraga. É um ciclo inevitável. Uma amizade só acontece quando ambos estão dentro dela. E eu não posso dizer que seja uma santa. Não posso dizer que seja a melhor amiga do mundo porque estou muito longe disso, mas desta vez eu fiz tudo o que podia.

Tudo na minha vida parece irregular e tu foste a primeira coisa que aparentou estável. O primeiro rapaz com quem sabia que não ia estragar tudo. E aqui apercebi-me do grande problema das relações: são feitas a dois. Pela primeira vez, não estraguei tudo, pelo contrário, foi a primeira vez que me estragaram a mim. E custa ser quem está do outro lado. É como se a amizade fosse um vidro que nos separasse (irónico, não?). E ambos podíamos simplesmente pegar na pistola e disparar contra ele. Sempre fui eu que fiz isso, involuntariamente, mas desta vez eu estava do outro lado e não pude fazer nada enquanto lentamente pegavas na pistola e pressionavas o gatilho.

A bala foi disparada, e o vidro quebra-se em enormes pedaços. Os primeiros já me atingiram. Os primeiro danos colaterais afetaram-me.

E eu sei como é estar do outro lado, de arma em riste, demasiado cega para observar o outro enquanto é lentamente cortado por consequência de nossas decisões. E sei o que vem depois também: os pedaços de vidro saltam paa ambos os lados, e, mais cedo ou mais tarde atingirão o agressor, embora mais pequenos, mais danificados, continuam a cortar: cortes superficiais que raramente se transformam em cicatrizes. Normalmente forma crosta que vai desaparecendo e é rapidamente esquecida.

Mas há quem esqueça a ceguidão, por pouco que seja. Há  quem combata o orgulho e observe os danos que causou. Uma visão simples e dolorosa: vidro por todo o lado, uns pedaços límpido, outros embebidos numa substância seca outrora vermelha viva. E então levanta-se o olhar. Cicatrizes, é o que predomina naquele que afetamos. A cara aquece, a água embebe os olhos e os joelhos contactam involuntariamente o solo. Gritos de desespero. Desperdício. As feridas já estão fechads e as cicatrizes formadas. O sangue secou assim como as lágrimas. E é aí que sei que acabou.

Mas agora serei eu a primeira vítima. Eu derramarei a primeira gota de sangue. Mas também eu secarei a primeira lágrima. Também eu virarei costas e ouvirei os demónios implorando-me para que volte atrás e veja como tudo ficou. E ignorá-los-ei.

O tempo passa e as cicatrizes são ocultas. Mas por muito que queira nunca conseguirei apagar as cicatrizes que eu própria causei.

Tu és um rapaz inteligente, não vale a pena recorrer a indiretas para chegar a ti, mas pior cego é o que não quer ver.

Faz o que quiseres da vida, desejo-te a melhor das sortes, mas há coisas que nunca esquecerei.

“OK é a tua vez de perguntar!”

“Hmm... Se houvesse alguém que pudesses manter na tua vida independentemente das circunstâncias, quem seria?”

“Ainda não sei com quem vou casar muito menos tenho filhos, por isso... sim, serias tu.”

Posso vir a fazer muitas coisas na vida, e por ti acredita que faria as maiores loucuras, mas pior que inimgos são amigos que duram um ano.

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